sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Primeiro Bimestre

Situação de Aprendizagem 1

A GÊNESE DO TERRITÓRIO BRASILEIRO

Considerações Gerais:
O Brasil, enquanto País e com essa dimensão territorial, nem sempre existiu, pois suas atuais fronteiras são resultantes da Geopolítica Portuguesa e das Frentes de Expansão como: A Atividade Pecuária (extensiva) ocorrida a partir do Nordeste (séc. XVI...), as Drogas do Sertão na Amazônia (séc. XVI...) e as Bandeiras e Entradas a partir do Sudeste Brasileiro (séc. XVI e XVIII).


Situação de Aprendizagem 1

A GÊNESE DO TERRITÓRIO
BRASILEIRO
Considerações Gerais:
O Brasil, enquanto País e com essa dimensão territorial, nem sempre existiu, pois suas atuais fronteiras são resultantes da Geopolítica Portuguesa e das Frentes de Expansão como: A Atividade Pecuária (extensiva) ocorrida a partir do Nordeste (séc. XVI...), as Drogas do Sertão na Amazônia (séc. XVI...) e as Bandeiras e Entradas a partir do Sudeste Brasileiro (séc. XVI e XVIII).

Tratado de Madrid de 1750

A partilha das colônias pertencentes à Espanha e Portugal na América do sul gerou polêmicas que acabaram em altercações e motins durante boa parte da história colonial.

O Tratado de Tordesilhas – oficialmente demarcador das fronteiras entre Espanha e Portugal – nunca conseguiu ser totalmente respeitado, sendo portanto substituído pelo Tratado de Madrid, assinado na capital espanhola a 13 de janeiro de 1750, entre os reis de Portugal e da Espanha.

Este tratado tornou-se responsável por determinar os limites entre as duas colônias sul-americanas, acabando definitivamente com as contendas.

O Tratado de Madrid foi preparado cuidadosamente a partir do Mapa das Cortes, favorecendo as colônias portuguesas em prejuízo aos direitos dos espanhóis. Os diplomatas portugueses eram muito espertos e basearam-se no princípio do Uti Possidetis – direito de posse – para definir como se daria a divisão territorial, trabalhando também para a vitória portuguesa. Pelo Uti Possidetis a terra deveria ser ocupada por aqueles já se encontravam estabelecidos nela, com residência fixa e trabalho nas redondezas. Desta forma os portugueses se firmaram no grande território que hoje forma o Brasil.

O Tratado de Madrid estabeleceu que o limite da fronteira entre os domínios espanhóis e portugueses se daria a partir do ponto mediano entre a embocadura do Rio Madeira e a foz do Rio Mamoré, sempre seguindo em linha reta até visualizar a margem do Rio Javari. Surgia uma linha imaginária que futuramente geraria muitas discórdias.

Por este tratado Portugal foi obrigado a ceder a Colônia do Sacramento ao estuário da Prata, mas em compensação recebeu os atuais estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, o atual Mato Grosso do Sul, a gigantesca área que ficava no alto Paraguai e mais algumas extensões de terras abandonadas, também adquiridas através de negociações.

O tratado estabeleceu que a paz sempre reinaria entre as colônias, até quando as capitais das províncias se encontrassem em guerra; a Capital brasileira foi transferida de Salvador para o Rio de Janeiro; a posse da Amazônia foi cedida para Portugal e o Rio Uruguai foi escolhido como fronteira entre o Brasil e a Argentina.

O Tratado de Madrid foi importante para o Brasil porque definiu aproximadamente o contorno geográfico do Brasil hoje.


A exploração do pau-brasil

Várias eram as suas utilidades – os índios o usavam na produção de seus arcos e flechas e na pintura de enfeites, antes mesmo dos portugueses aqui chegarem. Porém a famosa brasileína – essência corante extraída da madeira, utilizada no tingimento de tecidos e na produção de tintas para desenho e pintura – era o que poderia render lucros e dividendos à Coroa. Portugal, que antes adquiria esta substância por intermédio dos mercadores que vinham do Oriente, visualizando um futuro promissor pela frente, tornou a exploração do Pau-Brasil posse exclusiva da Coroa.

A exploração da árvore do pau-brasil veio a ser a primeira atividade econômica empreendida pelos portugueses em território brasileiro (1515). Sua extração foi fácil, pois o pau-brasil estava localizado em florestas do litoral e havia um intercâmbio permanente com os índios, que talhavam e conduziam as toras em troca de mercadorias européias banais, tais como facões, machados, espelhos, panos, entre outras coisas.

No ano de 1530, em alguns locais litorâneos, o pau-brasil já é insuficiente, apesar do Brasil ter mantido a exportação da madeira até o início do século XIX. A exploração era tosca, destruindo boa parte de nossas florestas. Do início de seu tráfico restou somente 3% de Floresta Atlântica e, por conseqüência, convivemos até hoje com o desmatamento indiscriminado que coloca em perigo nossa biodiversidade.

A Produção Da Cana-De-Açúcar (Séc. XVI-XVII)

Para montar engenhos, além das terras para o plantio, era necessário contar com escravos, adquirir bois, cavalos, barcos, ferro e cobre etc. Em suma, o engenho exigia muitos investimentos, sendo, portanto, uma atividade que não era para qualquer um.
Os colonos que não podiam arcar com os gastos da preparação do açúcar tornavam-se fornecedores de cana aos senhores de engenho. Assim, os senhores de engenho trabalhavam com a cana de suas próprias plantações e com aquela fornecida por colonos de menores posses.
Parte da fazenda era destinada a criação do gado necessário ao transporte da cana dos partidos até a casa do engenho, e do açúcar até o porto de embarque. Os carros de boi foram muito utilizados como meio de transporte, principalmente quando não havia trechos navegáveis dos rios.
O objetivo da. produção açucareira era o mercado externo. Seu funcionamento envolvia muita gente. Por isso, no interior da agricultura colonial-escravista tínhamos dois setores:
• setor de exportação;
• o setor de produção de alimentos;
O setor exportador era a atividade principal, ocupava os melhores solos dos imensos latifúndios, empregava o trabalho escravo e avançava sempre sobre as terras férteis da floresta (plantation). A margem da atividade principal aparecia o setor de subsistência. Assim, os escravos cuidavam de sua própria alimentação diminuindo os gastos dos senhores com importação de gêneros alimentícios.

Quando os preços do açúcar subiam no mercado, todas as terras e os escravos eram utilizados para expandir a produção, sobrando pouca terra para a agricultura de subsistência.
A queda dos preços do açúcar implicava a redução das rendas, obrigando os senhores a reduzirem as despesas com a manutenção dos escravos.
Quanto mais "doce" (de cana-de-açúcar) a paisagem, mais amarga era a vida dos escravos.
A alta dos preços do açúcar era acompanhada da expansão dos canaviais, que invadiam não só as áreas da mata, mas também as terras dos lavradores, restringindo a produção de alimentos.
Quando os preços entravam em declínio, os latifundiários alugavam pedaços de terra aos lavradores que podiam aumentar o cultivo para abastecimento de suas famílias, dos próprios latifúndios, das vilas e das cidades próximas.
Na segunda metade do século XIX, com a diminuição da importação de escravos, a Zona da Mata nordestina sofreu uma modernização nas suas técnicas com a introdução das usinas no lugar dos engenhos e da ferrovia no lugar dos carros de bois.
A organização do espaço geográfico modificou-se, pois aqueles que se transformavam em usineiros aumentavam seu poder de influência por poderem transformar mais cana que os antigos engenhos. Estes se transformaram em fornecedores de cana das usinas, e muitos deles entraram em decadência. No entanto, a grande usina sofria dos mesmos males dos antigos engenhos: a oscilação dos preços do açúcar no mercado externo.
Além disso, o poder dos latifundiários da cana já não era o mesmo na segunda metade do século XIX, pois o café se desenvolvia no Sudeste brasileiro, e o Brasil se destacava como o mais importante produtor mundial. Sem falar que, mesmo na região Nordeste, o século XIX verá o prestígio econômico e político começar a deslocar-se da Zona da Mata para o sertão. Com o, algodão.

A Atividade Pecuarista: O Gado (Séc. XVI - XVII)

Nem só de açúcar vivia o Nordeste. A pecuária, desde o início, esteve vinculada a lavoura canavieira. Nos engenhos nordestinos o gado era necessário para o transporte da cana no interior das fazendas e à geração da força motriz nas moendas de cana. Sem falar do consumo de sua carne e de seu couro.
Os donos de engenho costumavam destinar as áreas mais distantes a criação de animais, evitando ocupar as terras das plantações. Criados soltos em parcelas dos imensos latifúndios, os rebanhos se multiplicavam acompanhando às necessidades da lavoura canavieira. Mas o gado exigia cada vez mais pastos e começou a disputar terras com a lavoura canavieira. Ora, essa lavoura era a atividade lucrativa mais importante da colônia no seu início, e a coroa portuguesa não tardou a agir. Em 1701 a metrópole proibiu a prática da pecuária no litoral nordestino. Entre a cana-de-açúcar e o gado, a preferência só podia ser da primeira. Assim, o gado teve que pastar em outro lugar, indo ocupar as terras menos úmidas e menos férteis do agreste e do sertão nordestino que oferecia amplas extensões facilmente aproveitáveis como pastos. A vegetação natural, por sua vez, não exigia outro cuidado, além da queimada dos arbustos de maior porte, fornecendo diferentes tipos de forragens para o gado. O gado, no entanto, expandiu-se pelo sertão. A escassez de água é um problema nesta área — daí as fazendas de gado terem-se estabelecido junto aos rios. Não é a toa que o rio São Francisco era conhecido como rio dos Currais. A caatinga (vegetação do nordeste) nem sempre garantia a subsistência dos rebanhos. O gado resistia as difíceis condições do clima e da vegetação, tendo de ocupar grandes extensões de terras para conseguir a alimentação necessária. O gado pastava solto.

As Frentes de Expansão Econômicas As “Drogas do Sertão” (século XVII e XVII)

No vale do rio Amazonas, as constantes incursões estrangeiras estimularam a intervenção da coroa portuguesa, através da implantação de fortes a princípio na embocadura do rio Amazonas (Belém/Macapá) e do incentivo à ação de missões católicas, estas penetraram nos confins da região, viabilizando a exploração dos produtos da floresta (“drogas do sertão” - canela , cravo, salsa-parrilha, cacau nativo) e ao mesmo tempo domesticavam a mão-de-obra nativa, facilitando a hegemonia lusa na região. Essa expansão foi possibilitada graças à União Ibérica (1580/1640) que veio a facilitar a ação no interior da região sem nenhum impedimento fronteiriço e, realizada a separação, fez-se necessária uma nova divisão política em que se reconheceu o uti-possidetis. Ao longo do curso do Amazonas e partindo das fortificações de Belém, os portugueses lançaram expedições oficiais destinadas a estabelecer a presença colonial por todo o vale do grande rio. Entre as inúmeras expedições, destacam-se a bandeira fluvial de Pedro Teixeira (1637/1639), marco das explorações amazônicas oficiais e da epopéia do bandeirante Antônio Raposo Tavares (1648/1651).
No plano da construção espacial brasileira, as bandeiras ampliaram o limite do território conhecido, e funcionavam, ao menos objetivamente, como vanguarda do poder colonial. A coroa portuguesa, manobrando persistentemente e meticulosamente para a expansão geográfica da sua soberania, ordenou a construção de fortificações ao longo do perímetro exterior das expedições. Assim surgiram os fortes de São Joaquim(RR), São José das Marabitanas (Alto Rio Negro), São Gabriel(Rio Negro), Tabatinga (Rio Solimões) e Príncipe da Beira (Rio Guaporé), balizando o contorno das nossas fronteiras terrestres.

A Amazônia no século XIX – A Economia da Borracha

Paralelo a expansão cafeeira, ocorria na Amazônia o boom da borracha (fim do século XIX e início do XX). A produção de látex foi transformada num dos elementos mais importantes do espaço amazônico. O seringal se constituía em grandes propriedades no interior da floresta, controladas pelos seringalistas. O responsável pela extração do látex era o seringueiro.
A borracha atraiu para a região amazônica muitos migrantes nordestinos (arigós) que se transformaram na mão-de-obra. Estes trabalhavam através do Sistema de Aviamento no interior dos seringais. Houve um deslocamento de nordestinos muito intensa para o extremo oeste da Amazônia, garantindo com isso a posterior anexação de mais um Estado ao território nacional, que foi o Acre, através do Tratado de Petrópolis(1903).
Alguns migrantes nordestinos, entretanto, se estabeleceram nas proximidades de Belém, onde deram início a uma importante agricultura praticadas em pequenas propriedades familiares. A maioria das cidades existentes no nordeste paraense (região bragantina – área que vai de Belém a Bragança) teve sua origem nas colônias agrícolas implantadas por nordestinos. Em outras áreas da Amazônia também foram implantadas colônias agrícolas semelhantes como foi o caso de Santarém e Monte Alegre, ambas no Pará.

A Borracha mudou o Espaço

Ela passou a ser uma importante matéria-prima para as indústrias. O espaço geográfico amazônico, em conseqüência, passou por grandes transformações, como veremos a seguir.
O seringal foi transformado num dos elementos mais importantes do espaço da produção regional(...)
O crescimento econômico e populacional atraiu também a indústria para a Amazônia. Variadas fábricas, ligadas sobretudo ao setor de bens de consumo, se estabeleceram nas principais cidades, destacadamente em Belém e Manaus.(...) as atividades produtivas mais tradicionais: a roça, a coleta, a pesca e a caça não deixaram de existir. Se a borracha e a indústria eram fonte de riqueza da elite, as atividades tradicionais permaneceram, sobretudo, como fonte de sobrevivência de uma grande parcela populacional.
O comércio gerado pela exportação da borracha intensificou a circulação de pessoas e de produtos. Para facilitar o escoamento da produção e receber as mercadorias compradas no estrangeiro, foram construídos os portos de Belém e Manaus..
Neste período, até ferrovias foram implantadas para agilizar o escoamento da produção regional: a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré escoava a borracha de Guajará-Mirim até Porto Velho, cidades localizadas no Estado de Rondônia; a Estrada de Ferro Bragantina - escoava a produção agrícola na rota Bragança - Belém, no Estado do Pará; a Estrada de Ferro do Tocantins -escoava a produção extrativa, principalmente a castanha, existente no sudeste do Pará, até a cidade de Marabá (PA).
À medida que novas áreas iam sendo ocupadas, como os vales dos rios Madeira, Purus e Juruá, surgiam novos núcleos urbanos, que, na sua maioria, eram sedes de seringais. É o caso de Xapuri e Brasiléia, ambas no Estado do Acre. Eram os seringais virando cidades.
Nas grandes cidades da região, a elite, formada pelos barões da borracha, impõe um novo modo de vida baseado em idéias trazidas da Europa. Vive-se a Belle Époque, termo francês que se refere a um período marcado por construções urbanas de grande beleza (palacetes, igrejas, praças e parques públicos, bosques, etc.), assim como de espaços culturais (teatros, cinemas, escolas, bibliotecas e arquivos públicos, jornais, etc.). As idéias européias se tornaram presentes no espaço amazônico, para atender aos caprichos e gostos da elite. Por isso mesmo, apenas uma pequena camada da sociedade amazônica pôde beneficiar-se das inovações. (...) esse período de crescimento econômico e intensa reorganização do espaço entra em crise devido à concorrência feita pela borracha produzida na Ásia.
A crise freou o crescimento da maioria das cidades. Entretanto, algumas não sofreram tanto com essa queda devido à existência de outras atividades econômicas, como o plantio de juta nas várzeas do Médio-Amazonas e o extrativismo da castanha-do-pará, no sudeste paraense.

O Brasil do Século XIX: A economia Cafeeira

Esta atividade ocorreu na primeira metade do século XIX até meados do século XX. Iniciando seu cultivo no Vale do Rio Paraíba do sul (começando na porção do Rio de Janeiro) e depois expandindo-se para o oeste Paulista chegando até o norte do Paraná e sul de Minas Gerais (frentes pioneiras), aproveitando-se condições naturais favoráveis, como: a descoberta de terrenos menos acidentados e o solo de terra roxa.
A economia cafeeira foi obra do capital mercantil nacional que vinha se desenvolvendo aos poucos e ganhou notável impulso com a abertura dos portos, e a transferência da corte portuguesa para o Brasil (1808) e, mais tarde, com a independência.
Houve neste momento a grande participação do capital britânico, que financiou a infra-estrutura para o abastecimento do café, através de empréstimos financeiros.
A migração em massa (principalmente de italianos) foi a solução encontrada pela burguesia cafeeira para o grave problema da mão-de-obra. Depois da proibição do tráfico negreiro, a Lei do Ventre Livre (1871) e a Lei dos Sexagenário (1885) sinalizavam a definitiva abolição da escravatura, o que ocorreu em 1888. Os cafeicultores tiveram um longo tempo para organizar a substituição da força de trabalho. Além do que em 1850 foi instituída a Lei de Terras, que acabou com o sistema de simples doação e estabelecendo que a propriedade territorial só poderia ser adquirida mediante procedimento de compra e venda. A terra, de simples recurso natural passou a ser mercadoria. Na verdade, a Lei de terras marca a transição de um regime em que os homens eram cativos para um regime em que os homens são livres, mas a terra é cativa.
A economia cafeeira modificou o espaço geográfico da região (principalmente de São Paulo), ou seja, houve grandes transformações no espaço da produção, da circulação e das idéias regionais, havendo, assim, as condições para a transição de uma economia agro-exportadora para uma economia urbano-industrial.
Devido as crescentes exportações do café, a expansão de fazendas transformara o Vale do Paraíba do Sul. Os cafezais causaram rápido esgotamento dos solos. Daí a rápida incorporação das terras do Oeste Paulista. A produção cafeeira seguiu uma trajetória de sucessivas e crescentes safras.
Já no final do séc. XIX o Brasil passou a conhecer crises de superprodução de café. Em 1882, a produção mundial de café foi maior do que o consumo.O resultado foi à queda do preço do produto no mercado mundial.
As ferrovias do café e seu papel na ocupação, na produção e na organização do espaço geográfico
A maior parte das ferrovias no estado de São Paulo foi construída somente após o avanço do desmatamento e do estabelecimento das fazendas, quando a população dos povoados se tornou numerosa e o volume da produção compensava o investimento no transporte ferroviário.
Muitas cidades do Planalto Ocidental Paulista tiveram como embrião as estações de trens, as pontas de trilhos e, ainda, as paradas ao longo do trajeto:Bauru, Tupã, Votuporanga, Pompéia, São Jose do Rio Preto, Penápolis, Lucélia, Lins, Adamantina e Araçatuba.
Para os habitantes do Estado de São Paulo, as vias férreas assumiram tamanha importância que se tornaram um referencial para se situar ou se deslocar no espaço paulista. Por exemplo, quem ia para acidade de Tupã, no oeste do estado, servida pela Companhia Paulista de Estrada de Ferro dizia “Eu vou para a Alta Paulista “, referindo-se, desse modo , mais especificamente ao final da linha, pois esta dividia-se em Baixa, Média e Alta Paulista.
Isso ocorria também em relação ao espaço geográfico cortado pelas demais ferrovias. Falava-se em Araraquarense, Mojiana, Sorocabana, para referir-se à região “atravessada” por essas ferrovias.
Hoje, no Estado de São Paulo, não há mais nem mesmo o referencial dado pelas ferrovias, a não ser para gerações passadas. Com o desenvolvimento rodoviário iniciado em 1956, as ferrovias perderam a importância e também o papel de estimuladoras do povoamento e da criação de cidades, bem como de referenciais do espaço.
O traçado das ferrovias do café mostra a ligação das áreas produtoras ao porto de Santos, construídas que foram para escoar a produção cafeeira do Vale do Paraíba, da Depressão Periférica Paulista e do Planalto Ocidental Paulista. A primeira delas, a Sociedade de Estradas de Ferro D. Pedro II que mais tarde deu origem à Estrada de Ferro Central do Brasil), ligando o Vale do Paraíba ao porto do Rio de Janeiro, entrou em operação em 1855. Em seguida, em 1867, entrou em operação a São PauloRailway Co Ltd, ligando São Paulo à Santos, cujos trilhos foram depois estendidos até a cidade de Jundiaí, dando origem à Estrada de Ferro Santos----Jundiaí . Em 1872, foi inaugurada a Companhia Paulista de Estrada de Ferro, fruto da união de capitais de grandes fazendeiros de Campinas, Araras, Limeira e Rio Claro. Uma associação de produtores da região de Moji-Mirim fez o mesmo, dando origem a Companhia Mogiana em 1875, mesmo ano da inauguração da Estrada de Ferro Sorocabana. Em 1901 foi a vez da Araraquense .
Em 1971, o governo do Estado de São Pulo organizou a Fepasa--- Ferrovia Paulista S.A. ----que englobou as ferrovias citadas, com exceção da Santos---Jundiaí e da Estrada de Ferro Central do Brasil, que pertencem a RFFSA – Rede Ferroviária Federal S.A.
Ao analisarmos o traçado das ferrovias no Brasil podemos concluir que:- as ferrovias não realizaram efetivamente as integrações nacional e inter-regional, como ocorreu em outros países -- no nordeste brasileiro, elas não realizaram nem mesmo a integração intra-regional;
--na Amazônia a densidade ferroviária é bastante baixa, contando com a Estrada de Ferro do Amapá, que escoa o minério de manganês até o porto de Santana, de onde é exportado, e com a Estrada de Ferro Carajás, construída recentemente para escoar o minério de ferro da Serra dos Carajás até o porto de Itaqui, no Maranhão, de onde também é exportado;
-- particularmente em São Paulo e no Rio de Janeiro, as ferrovias constituíram uma infra-estrutura importante para assegurar o desenvolvimento do capitalismo no Brasil. Sua função foi a de inserir-nos na economia mundial como país de economia primário-exportadora, no contexto da divisão internacional do trabalho.

O Arquipélago Econômico (isolamento regional)

A configuração em arquipélago econômico (ilhas econômicas) refletia o papel do Brasil como produtor de mercadorias para o mercado mundial e como as atividades produtivas nesse longo período foram ocupando espacialmente várias áreas do território. As culturas como açúcar, fumo, cacau, borracha ou café; desenvolveu-se em áreas diferentes de acordo as vantagens comparativas naturais e históricas de cada porção do espaço brasileiro. Esse arquipélago mercantil configura-se como “bacias de drenagens” integradas ao centro em grandes cidades portuárias, que escoavam a produção ao mercado externo. Essa organização do território produziu as grandes cidades portuárias do Brasil rural-agrário, centros modernos com laços intensos aos centros urbanos europeus. Pode-se citar as cidades: Belém, Rio de Janeiro, Recife, Salvador, São Luís, etc.
As relações econômicas ou demográficas entre essas áreas ou as ilhas eram inexpressivas ou precárias, chegando em vários períodos há serem inexistentes, pois o crescimento e dinamismo econômico eram diretamente resultado do comércio voltado ao mercado mundial.

O fim da economia de arquipélago

A relação assalariada de trabalho deu o início a um considerável mercado interno de consumo que conseqüentemente, gerou as bases para um maior crescimento industrial no final do século XIX; abrindo dessa forma a possibilidade de circuitos inter-regionais de mercadorias, pois as necessidades dos trabalhadores, de alimentos, tecidos e calçados, passaram a ser parcialmente atendidas pela indústria nascente. Ao poucos foi se intensificando a articulação entre as
regiões, acabando, dessa forma, reduzindo o isolamento anterior.

A industrialização e o novo espaço geográfico

O desenvolvimento industrial da região do sudeste, principalmente do Estado de São Paulo, se beneficiou de capitais, infra-estrutura de transporte energia, da mão-de-obra, da urbanização e do mercado consumidor criado pela economia cafeeira.
A concentração industrial nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro transformou a região sudeste no principal pólo econômico do país. A indústria, centro dinâmico da economia brasileira a partir da década de 30, criou um novo espaço geográfico, que em poucas décadas passou a concentrar a maior parcela da população e da produção do país: o espaço urbano-industrial.
A firme disposição do governo federal em estimular a industrialização do país e a expansão rodoviária desempenhou importante papel no processo de integração nacional, que se afirmou em definitivo a partir da década de 50 com a construção de Brasília.
A necessidade de ligar a nova capital ao restante do país possibilitou a complementação de várias rodovias e a incorporação de novas áreas no cenário nacional (Centro-Oeste e Amazônia).
A crescente integração da economia do Sudeste as demais regiões do país teve conseqüências muitas profundas;
de um lado criou um mercado interno nacional e integrou economicamente o país, de outro lado, limitou e até subordinou o desenvolvimento industrial das outras regiões, transformando-as em fornecedoras de alimentos, matérias-primas e mão-de-obra.
A indústria integrou o território nacional, porem causou também profundas desigualdades sociais e regionais.

Situação de Aprendizagem 2

A GÊNESE DAS FRONTEIRAS BRASILEIRAS:

Território é um espaço submetido a um poder político. Nesse território existem propriedades privadas, onde o proprietário pode utilizá-la para fazer empreendimentos econômicos ou comercializá-la. Porém, não cabe a ele o domínio político do seu patrimônio, isso é exercido pelo Estado, através de leis. O patrimônio privado e a soberania pública constituem a base do território nacional.
As fronteiras são extremamente importantes na constituição do território. São elas que delimitam a atuação da soberania estatal. Para se criar uma fronteira, é preciso estabelecer três etapas:
Definição, que é uma operação conceitual onde se chegará a um acordo sobre onde começa e onde termina o território; delimitação, um processo cartográfico, no qual será marcado no mapa os limites fronteiriços; demarcação, uma operação física, onde são colocados marcos nas fronteiras.
A maior parte das fronteiras brasileiras foram criadas no período Imperial e na “era Rio Branco”. A “era Rio Branco” constitui um período marcado pela figura do Barão do Rio Branco, responsável pela política externa durante o início do período republicano brasileiro. A sua obra de fronteiras definiu grande parte das delimitações do território brasileiro. Defendeu o Brasil nos Arbitramentos internacionais, que era um modo de resolver os conflitos fronteiriços, por meio da escolha de um Terceiro Estado, neutro, que resolvia o problema. O seu principal feito foi a “questão do Acre”. Na época o Acre pertencia a Bolívia. Mas com a “corrida da borracha” inúmeros seringueiros brasileiros foram para o local. Chegaram até mesmo a conseguir uma efêmera independência. Para contra-atacar, a Bolívia assinou um acordo com um cartel de empresas norte-americanas, dando a elas o direito de exploração do Acre. Os seringueiros se revoltaram. O exército boliviano foi posto de prontidão. É nesse período que entra a figura do barão do Rio Branco, onde por meio de negociações diplomáticas, conseguiu tomar o Acre para o Brasil, através do tratado de Petrópolis. Em troca, o Brasil pagaria uma certa quantia e construiria a ferrovia madeira-mamoré, que escoaria a exportação boliviana para as partes navegáveis dos rios amazônicos.
Durante a formação das fronteiras brasileiras, o Brasil se apoiou no mito das “fronteiras naturais”, segundo o qual os limites do território já estariam preestabelecidos devido aos cursos dos rios e outros fatores naturais que constituem as fronteiras. Embora apresente certa semelhança, os limites fronteiriços brasileiros não estão ligados ao “natural”, mas sim a processos históricos e políticos.
O Brasil é “cortado” por quatro fuso horários. No entanto, o sistema de horas legais vigente no país é bastante prático, pois modifica, de certa forma, a posição do fusos, de modo que um mesmo estado não tenha horários diferentes ao longo do seu território.
Atualmente, o Brasil é um Estado Federal, ou seja, as unidades federais (estados) possuem autonomia, expressa pela constituição própria, embora esteja submetida à constituição nacional, o direito de eleger o seu próprio governante e fazer assembléias. O poder legislativo brasileiro possui um sistema bicameral, onde se tem a câmara baixa, que é a Câmara Federal, composta por deputados que representam o povo e a câmara alta, corresponde ao Senado Federal, composto por senadores, que representam os estados.
Ao longo de sua história, os estados que compõem o território brasileiro sofreram desmembramento, isto é, uma parte de um grande estado se emancipou e passou a constituir uma outra unidade federal. Isso acontece devido a valorização econômica, o crescimento demográfico vivido pela parte do estado que busca a sua emancipação. Além disso, um território muito grande se torna difícil de ser governado. Com a separação, o novo estado ganha autonomia e um sistema de administração que facilitam o planejamento do desenvolvimento econômico. E a elite regional ganha mais poder ainda. É bom ressaltar que um grande território não é sinônimo de grande população, principalmente no que diz respeito aos estados. O que atrai a massa populacional é oportunidade de emprego, boas redes de hospitais, educação, infra-estrutura e desenvolvimento econômico. Um exemplo está na comparação entre o Amazonas e São Paulo. A população paulista é muito maior que a amazonense.
Durante o período da Ditadura, Getúlio Vargas, criou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com a finalidade de reunir informações, através de pesquisas, sobre o território brasileiro, para melhor planejar o desenvolvimento econômico e social das regiões pouco populosas do Brasil. Foi a partir de então que criou-se as macrorregiões geográficas, que dividem o país em sudeste, nordeste, norte, sul e centro-oeste. Os agrupamentos foram feitos mediante características semelhantes, como a economia, a população e os fatores naturais. Como era muito generalizado, não serviu para a verdadeira finalidade da divisão: a obtenção de dados para o planejamento. Portanto, fez-se uma nova divisão, as mesorregiões geográficas, onde se punha, em um mesmo grupo, regiões com estruturas de produção e características naturais semelhantes. Também era muito generalizada e, por isso, criou-se as microrregiões geográficas, que são os municípios. O agrupamento se dá pelo grau de influência dos centros urbanos e o modo de utilização do solo dominante.

Fronteiras atuais das terras brasileiras

O Brasil limita-se ao norte com a Guiana Francesa, o Suriname, a Guiana e a Venezuela; a noroeste, com a Colômbia; a oeste, com o Peru e a Bolívia; a sudoeste, com o Paraguai e a Argentina; ao sul, com o Uruguai e a leste com o Oceano Atlântico.
Os pontos extremos do território brasileiro são:
• Ao norte, a nascente do Rio Ailã, no Monte Caburaí, Estado de Roraima (5º 16' de latitude norte), na fronteira com a Guiana;
• Ao sul, o Arroio Chuí no Rio Grande do Sul (33º 45' de latitude sul), fronteira com o Uruguai;
• O extremo leste da parte continental do Brasil é a Ponta do Seixas, em João Pessoa, na Paraíba (34º 47' de longitude oeste); porém, as ilhas oceânicas de Fernando de Noronha, Atol das Rocas, arquipélago de São Pedro e São Paulo, Trindade e Martim Vaz ficam ainda mais a leste, sendo o extremo leste absoluto do território brasileiro uma ponta sem nome na Ilha do Sul do arquipélago de Martim Vaz, a cerca de 28° 50' de longitude oeste;
• A oeste, a serra da Contamana ou do Divisor, no Acre (73º 59' de longitude oeste), na fronteira com o Peru.
Países que fazem fronteiras com o Brasil:
Fronteira é um limite (linha) que divide dois países, estados ou cidades. O Brasil possui uma extensa fronteira. No total são 15.179 km de fronteiras com diversos países da América do Sul. O Brasil não possui fronteira com o Chile e com o Equador.

As Fronteiras Brasileiras

- Guiana Francesa: 655 km de fronteira, situada totalmente no estado do Amapá.
- Suriname: 593 km de fronteira, sendo no estado do Amapá (52 km) e no Pará (541 km).
- Guiana: 1.606 km de fronteira, sendo no estado do Pará (642 km) e Roraima (964 km).
- Venezuela: 1.492 km de fronteira, sendo em Roraima (954 km) e Amazonas (538 km).
- Colômbia: 644 km de fronteira, situada totalmente no território do estado do Amazonas.
- Peru: 2.995 km de fronteira, sendo no Amazonas (1.565 km) e Acre (1.430 km).
- Bolívia: 3.126 km de fronteira, sendo no Acre (618 km), Rondônia (1.342 km), Mato Grosso (780 km) e Mato Grosso do Sul (386 km)
- Paraguai: 1.339 km de fronteira, sendo no Mato Grosso do Sul (1.131 km) e Paraná (208 km).
- Argentina: 1.263 km de fronteira, sendo no Paraná (293 km), Santa Catarina (246 km) e Rio Grande do Sul (724 km).
- Uruguai: 1.003 km de fronteira, totalmente com o Rio Grande do Sul.


Situação de Aprendizagem 3

DO ARQUIPÉLAGO AO CONTINENTE


Atividades Econômicas E Meios Geográficos

É por meio das atividades econômicas que os seres humanos podem obter as coisas que precisam para suas vidas. Elas constituem a essencial fonte de emprego e renda para a população. É por meio delas, também, que o espaço é criado e transformado em função do processo produtivo geral da sociedade. Tanto a criação, quanto à transformação do espaço, depende dos recursos e das técnicas que os homens utilizam.
As técnicas, assim como a sociedades, passaram e passam por um processo evolutivo. E por intermédio dessa evolução no tempo e no espaço, a sociedade foi construindo uma história dos diferentes usos que faz do espaço, pois, nas palavras de Santos & Silveira (2001) a construção dessa história:

Pode-se chamar de meio técnico, o período a partir do qual a produção se tornou social. Esse período é marcado pelas inovações técnicas e o conseqüente aperfeiçoamento dos instrumentos de trabalho
Nesse sentido, a aceleração e a difusão das inovações técnicas, bem como a concepção de domínio da natureza pelo homem, tiveram o surgimento do Capitalismo como marco fundamental, nos séculos XV e XVI. Assim sendo, a cada período são implementadas novas transformações nas técnicas e, por conseqüência, no espaço também.

Meio técnico-científico-informacional

Começa praticamente depois da Segunda Guerra Mundial, onde os grandes instrumentos políticos e os grandes provedores das idéias que iriam guiar a reconstrução ou a remodelação dos espaços nacionais, juntamente com a da economia, da sociedade e da política, foram às
A ciência, particularmente a pesquisa, é colocada cada vez mais a serviço da descoberta de novas técnicas, quase exclusivamente voltadas para a produção. A ciência direciona-se, de modo geral, para o setor produtivo. Nunca a ciência e a técnica estiveram tão interligadas como nesse período.
Esse período também se diferencia pela expansão e predominância do trabalho mental e de um movimento do capital à escala mundial, que atribui à circulação (movimento das coisas, valores, idéias) um papel principal.
Assim, a produção diversifica-se extraordinariamente, objetivando a acumulação de riqueza e fomentada por uma verdadeira corrida tecnológica. O prazo para que os bens produzidos, inclusive os instrumentos de trabalho, se tornem obsoletos, impondo sua substituição por outros mais "modernos", passa a ser mais curto, ocasionando um consumo maior de recursos naturais.
Nesse contexto, as técnicas alimentadas pelas ciências, evoluíram de tal forma que provocaram um considerável avanço na tecnologia da informação e da comunicação, microeletrônica, computação, produtos intensivamente baseados em conhecimentos e padrões de consumo que são muito mais diferenciados e individualizados.
A quase instantaneidade nas transmissões de palavras, sons e imagens – por cabo, fibra óptica ou satélite – torna o mundo muito menor, com uma aparente proximidade entre as pessoas. Isso é facilitado pela generalização do uso do computador, o qual, conectado a uma rede, permite aos seus milhões de usuários comunicarem-se diretamente entre si a qualquer hora do dia ou da noite.
Além disso, esse período também é marcado pela mundialização da produção, da circulação e do consumo, ou seja, de todo o ciclo de reprodução do capital, pois, com a derrocada do Socialismo, ocorreu à internacionalização do capitalismo, que passa a atingir praticamente todo o planeta e recebe uma denominação especial: Globalização.
Assim sendo, os avanços tecnológicos, particularmente nos transportes e nas comunicações, possibilitaram as grandes corporações, dividir suas etapas de produção em escala mundial. Tanto a produção quanto o consumo deixam de ser local para se tornarem mundiais.
Desse modo, esse novo período conhecido como meio técnico-científico-informacional, que é uma nova fase do modelo produtivo, se diferencia dos outros pela profunda interação da ciência e da técnica, sendo que, a idéia de ciência, de tecnologia e de mercado global, deve ser encarada conjuntamente.

Setores Da Economia

As atividades econômicas diversificaram-se à medida que o conhecimento humano e a tecnologia foram se aprimorando, tornando-se necessário dividi-las em três setores da economia. O setor primário, que engloba as atividades ligadas ao campo, como a agricultura, a pecuária e o extrativismo. O setor secundário, no qual as atividades industriais estão inclusas, e, o setor terciário, o qual inclui as atividades ligadas ao comércio e a prestação de serviços. Porém, a partir da década de 1950 emerge outro setor, o quaternário, ligado à informação e a comunicação .
No entanto, esses sucessivos setores da economia foram predominantes por um determinado tempo, perdendo parte de sua importância a partir das inovações da ciência e da técnica. O setor primário já foi predominante, empregando a maior parte da mão-de-obra ocupada, respondendo pela produção da maior parte da riqueza, porém, a evolução da ciência e da técnica faz emergir um novo modo de produzir baseado na produção em série e em massa, através do uso de máquinas e ferramentas. É a emergência do secundário, que ganha importância predominando por algum tempo como modelo hegemônico, trazendo no seu bojo, a especialização de trabalhadores, a descoberta de novos modos de produzir energia, etc.
Assim, tal modelo, por atuar também como poupador de mão-de-obra, é suprimido por um novo paradigma baseado no comércio e no setor de serviços, o terciário. Agora as atividades de maior relevância fazem crescer enormemente o número de produtos, mercadorias e pessoas circulando. Quando o terciário se torna insatisfatório devido ao avanço da técnica alimentada pela ciência, acontecem mudanças profundas fazendo emergir um novo paradigma técno-econômico baseado em informação, isto é, na geração de serviços e na produção e transmissão da informação.

Os setores da economia e as principais atividades econômicas.

Primário Agricultura, pecuária e extrativismo (atividades ligadas principalmente ao meio rural).
Secundário Inclui as atividades industriais
Terciário Inclui as atividades ligadas ao comércio e a prestação de serviços
Quaternário Atividades ligadas à informação e a comunicação

atividades ligadas ao setor primário

As atividades econômicas mais antigas são as extrativas: a caça, a pesca e a coleta de frutos nas matas. Tais atividades poucas transformações causaram no espaço geográfico, pois, o extrativismo animal (a caça e a pesca) e o extrativismo vegetal (a coleta de frutos nas matas) eram praticados em pequena escala, somente para a sobrevivência da espécie humana.
Assim sendo, neste trabalho, o extrativismo passa a ser entendido como a atividade de extrair da natureza os recursos que a mesma disponibiliza ao homem, sendo que no extrativismo animal, como já citado anteriormente, é extraído da natureza, a caça e o peixe, e, no vegetal, são extraídos produtos vegetais que não foram cultivados pelo homem. Ainda falando de extrativismo, existe outro modelo, o extrativismo mineral, que consiste na extração de minerais úteis que existem na crosta terrestre.
Desse modo, se percebemos que as atividades extrativas poucas transformações causaram no espaço, o mesmo não pode ser dito quando do surgimento da agricultura e da pecuária, na chamada Revolução Neolítica, que, corresponde ao período em que o homem começou a cultivar a terra e a domesticar os animais, ao mesmo tempo em que passou a utilizar instrumentos de pedra polida. Sendo que, a criação de animais (pecuária) e o cultivo de plantas úteis aos homens (agricultura), foram às primeiras atividades econômicas pré-industriais a modificar com mais intensidade o espaço, pois, o referido período coincide também com a época em que o homem deixa de ser nômade e passa a sedentário, se fixando a terra.
Dessa forma, o aumento da produção de alimentos e a produção de excedentes, só foram possíveis devido ao aperfeiçoamento das técnicas e dos instrumentos.

Atividades ligadas ao setor secundário

As modificações no espaço provocadas pelas formações sociais na prática do extrativismo, da agricultura e da pecuária no período pré-capitalista, foram pequenas se comparadas às do período a partir da Revolução Industrial8. A Sociedade Moderna ou Industrial foi a que mais modificação causou na natureza até hoje. A sociedade moderna, também chamada sociedade industrial, modificou a natureza num grau nunca visto anteriormente.
Desse modo, a transformação social do espaço circundante é decorrente da ampliação dos conhecimentos científicos e da disponibilidade de instrumentos de trabalho cada vez mais poderosos e eficientes.
Nessas condições, o setor da economia no qual estão inclusas as atividades industriais, é aquele que trouxe no seu bojo elementos como máquinas e ferramentas, trabalhadores especializados, produção em série e energia, entre outros.
Desta forma, a Sociedade Moderna ou Industrial, tem estado em um constante processo de transformação do espaço, tanto para extrair recursos, quanto para produzir, transportar e consumir mercadorias. No entanto, a indústria nem sempre foi moderna, ela passou por um processo evolutivo, vindo da manufatura, e os motivos foram à inovação das técnicas e a organização do trabalho, pois, evolução da manufatura para indústria deveu-se principalmente a dois motivos: a organização do trabalho, caracterizada pela divisão e especialização das etapas do processo produtivo, e as inovações técnicas da chamada Revolução Industrial.
atividades ligadas ao setor terciário

Setor terciário

O setor terciário da economia é o setor que, nos países industrializados, tende a empregar a maior parte da mão-de-obra e corresponde ao comércio e aos serviços, como transporte, educação, saúde, comunicação e sistema financeiro.
Assim sendo, devido ao desenvolvimento de novas tecnologias e a informatização, o setor terciário é o que tem apresentado um crescimento mais acentuado nos últimos anos. O setor secundário, geralmente, tem adotado tecnologias poupadoras de mão-de-obra, fazendo com que boa parte desses trabalhadores migre para o terciário, no entanto, essa força de trabalho que migra, agora necessita exercer um trabalho mais criativo em vez de executar tarefas mecânicas.
Dessa forma, o referido setor assume importância decisiva, particularmente com os serviços de pesquisa, com a produção de tecnologia, com a propaganda e o marketing, além do comércio. É a chamada terceirização da economia, em que o setor terciário passa a comandar os demais setores, a utilizar a maior parcela da mão-de-obra ocupada e a responder pela maior parte da produção de riqueza dos países. Junto a esse processo, ocorre em todos os outros setores, a terceirização.

A expansão da economia provocou a transferência das atividades produtivas de um setor para o outro, causando certo "inchaço" no terciário, que passa a não mais responder aos anseios da sociedade. A partir desse momento emerge, paulatinamente, a sociedade pós-industrial.
Assim, notamos que o início da chamada era pós-industrial, ocorre a partir da década de 1950, marcando o começo dos esforços científicos, tecnológicos e políticos no sentido de informatizar a sociedade, fazendo surgir um novo setor econômico baseado na geração de serviços e na produção e transmissão da informação: o quaternário.
Portanto, o surgimento do quaternário foi possibilitado pela chamada revolução tecnológica, que provocou alterações profundas na configuração social [e espacial] do ocidente, como a descentralização da economia, a alteração das práticas culturais, a democratização da informação e a redefinição do trabalho.
Assim sendo, no âmbito do trabalho, percebe-se que as novas tecnologias de comunicação provocaram e continuam provocando mutações. Os escritórios convencionais são substituídos pelo espaço doméstico, não sendo agora mais necessário se ter um horário fixo de trabalho, pois, o mesmo pode ser feito em qualquer hora do dia e da noite com os mais diversos profissionais das diferentes áreas de trabalho, se comunicando eletronicamente com os clientes em todas as etapas operacionais, via computador, fax, telefone, teleprocessadores de informação.


Situação de Aprendizagem 4

O COMÉRCIO EXTERIOR BRASILEIRO

O Brasil e o G20

O Grupo dos 20, mais conhe¬cido como G-20, formado por 19 países desenvolvidos e em Desenvolvimento e pela União Européia.

Criado em 1999, o G-20 segue os mol¬des de um bloco mais antigo, o G-8, do qual fazem parte os países mais ricos do mundo - França, Alemanha; Itália, Japão, Reino Unido, Estados Unidos e Canadá
- e a Federação Russa. Nos úl¬timos anos, as reuniões do G-8 (e de seu antecessor G-7, sem os russos) eram o principal fórum internacional para o de¬bate de medidas econômicas. Tanto o G-8 como o G-20 não têm sede própria, orçamento nem equipe permanente sobretudo um espaço para os líderes de nações importantes se encontrarem pessoalmente com certa freqüência, a fira de debater os proble¬mas mundiais (em geral, com o enfoque econômico e comercial, mas também político) e, se for o caso, estabelecer objetivos, adotar medidas conjuntas ou ao menos entrar em sintonia uns com os outros. É claro que, antes de os presidentes, premiês, ministros de Economia e Finanças e presidentes dos bancos centrais se reu¬nirem, as equipes técnicas dos países articulam-se para fazer os preparativos, discutir de forma detalhada as questões e redigir as declarações finais.
As origens do G-7 remontam à dé¬cada de 1970 e estão relacionadas aos problemas colocados para os países ri¬cos a partir da crise do petróleo e da recessão mundial decorrente dela. Já o G-20 nasceu como uma resposta à crise financeira do fim dos anos 1990 e em decorrência do fato de que era preciso incluir os principais países emergentes nas grandes discussões e decisões, pelo peso que passaram a ter suas economias no cenário internacional. Dele fazem parte todos os membros do G-8, além de China, índia e Brasil, entre outros. A crise financeira global atual, agravada no fim de 2008, ressaltou a importância crescente das economias emergentes, entre as quais a brasileira, principalmente porque essa crise teve origem nos Estados Unidos e vem afetando de forma mais severa as nações ricas .
O G-20 reúne países que, juntos, res¬pondem por 90% do PIE do planeta - ou seja, de tudo o que se produz no mundo, 80% do comércio global e dois terços da po¬pulação mundial. A presidência do bloco é rotati¬va e, a cada ano, exercida por um representante de uma região dife¬rente do planeta.
Em 2008, a presidência foi brasileira; em 2009, é do Reino Unido e, em 2010, será da Coréia do Sul. A União Européia é representada pelo líder do país que estiver ocupando a sua presidência do conselho e pelo presidente do banco central europeu.

Novo cenário

Até poucos anos atrás, o G-8 ainda era o fórum de maior destaque no cenário internacional. Em 2009, muitos anuncia¬vam a "morte do G-8", ou seja, a perda de seu papel de referência principal, ao me-nos neste momento. "Hoje, por qualquer critério, economias como China, Brasil e índia são importantes e têm um efeito na economia mundial maior do que muitos outros que estão no G-8", disse o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, em junho. "Essas economias (do G-8) continuarão a ser importantes, mas não podem substituir a imprescindível presença de países como a China, o Brasil, a índia, e mesmo a África também tem de ser representada."
Em julho, foi a vez de a chanceler alemã, Angela Merkel, falar sobre a perda da rele¬vância do G-8 e ressaltar a importância do G-20. "Estamos observando que o mundo está crescendo junto e os problemas que en¬frentamos não podem ser resolvidos pelos países industrializados sozinhos", afirmou no Parlamento alemão. Uma semana antes da reunião de cúpula do G-8, na cidade italiana de L`Áquila, ela disse considerar o encontro um fórum para discussões preliminares, com as decisões globais relevantes sendo tomadas no bloco de formato maior (leia-se G-20). Pela primeira vez, o G-8 faria uma declaração final com um gru¬po de países emergentes - chamado G-5, formado por Brasil, China, índia, México e África do Sul -, além do Egito.
Nesse contexto de aumento da rele¬vância do G-20, a diplomacia brasileira busca um papel maior na condução dos negócios globais e conta com o lugar particular ocupado pelo presidente Lula, como líder de uni partido de es¬querda, mas que, no exercício do poder, adotou várias políticas conservadoras, sobretudo no terreno econômico - con¬seguindo manter sua popularidade in¬terna (beirando os 70% em meados de 2009). Assim, na América Latina, Lula faz um contraponto às posições mais nacionalistas e radicais do presidente venezuelano, Hugo Chávez, e adota uma linha de colaboração com a política ex¬terna dos Estados Unidos em diversos pontos. O país chefia as tropas de missão de paz da ONU estacionadas no Haiti desde 2004, num momento em que os EUA mantêm centenas de milhares de militares no exterior e buscam parceiros para dividir os altos custos financeiros
e humanos das intervenções militares no tabuleiro global. Nas negociações econômicas globais, por vezes, também adota posições próximas das dos países desenvolvidos.
O papel-chave do Brasil, nesse contex¬to, relaciona-se ao fato de que o governo de Lula dialoga diretamente tanto com os governantes de esquerda e ainda dos países pobres das Américas e da África quanto com os mais conservadores dos países ricos, que prezam a moderação do mandato do líder petista.
O peso do país também é grande (ou deveria ser) quando são discutidas ques¬tões ambientais. A dimensão continental do Brasil, que abriga a maior floresta tro¬pical do mundo - a floresta Amazônica -, faz com que o país seja fundamental nas negociações sobre as medidas para combater as mudanças climáticas.

Rodada Doha

Uma questão importante em debate nos fóruns globais é a liberalização da economia mundial. O agravamento da crise em 2008 levou uma série de países a adotar medidas protecionistas, como o aumento de impostos para produtos importados, visando a proteger sua pro¬dução. Ocorre que a própria essência da globalização é o fluxo livre e intenso de capitais, produtos e serviços entre os países Os países ricos, bastante industrializados, fazem pressão permanente visando à abertura das economias, pois possuem fortes vantagens competitivas (grande produtividade, produção informatizada, alta tecnologia).
As negociações sobre as normas que regem o comércio global, na Rodada Doha, da Organização Mundial do Comércio (OMC), estão emperradas desde 2006.0 que se discute na Rodada Doha são principalmente a redu¬ção dos subsídios agrícolas que os países ricos concedem aos produtores locais (o que beneficiaria o comércio externo dos países pobres) e o corte das tarifas de importação que os países em desen¬volvimento impõem às importações das nações desenvolvidas (o que beneficiaria o comércio externo dos países ricos). As nações industrializadas, como os Estados Unidos e os países da União Européia, até concordavam em baixar um pouco as barreiras alfandegárias e reduzir a ajuda a seus produtores - desde que, em troca, os exportadores de produtos agrícolas, sobretudo Brasil e índia, derrubem as taxas impostas sobre os produtos indus¬trializados comprados lá fora.
A questão é que, sem proteção alfande¬gária, a indústria dos países em desenvol¬vimento não consegue competir com os produtos estrangeiros - o que condenaria esses países à eterna dependência econô¬mica da produção fabril do mundo rico. Sern acordo, a Rodada Doha, iniciada em 2001 e que deveria acabar em 2006, conti¬nua até hoje. Neste momento, na verdade, as discussões ficaram até mais difíceis, por causa dos sofrimentos impostos pela crise e do conflito dos interesses em jogo.
A liberalização comercial tem sido uma das bandeiras do presidente Lula. O Brasil trabalha ativamente para con¬cluir a Rodada Doha, adotando posições mais moderadas do que a índia, por exemplo, que trava um braço de ferro com os países desenvolvidos em torno da defesa de seu mercado interno - talvez o principal motivo do impasse nas nego¬ciações. Ao fim da cúpula do G-20, em Londres, em abril, anunciou-se que os líderes concordaram com a necessidade de "agir urgentemente" para encerrar a Rodada Doha e denunciar os países que imponham medidas protecionistas.

Diversificação de mercados

No terreno do comércio exterior, o governo brasilei¬ro esforçou-se nos últimos anos para diversificar seus parceiros, visando a reduzir o peso dos Estados Unidos nas transa¬ções de compra e venda do Brasil. Há décadas, o maior parceiro comercial brasileiro são os EUA. E, pelos números oficiais divulgados em maio referentes à balança comercial de abril de 2009, a China ultrapassou os EUA como o principal parceiro econômico do Brasil. A que¬da de 22,2% nas exportações globais brasileiras no primeiro semes-tre de 2009 (em comparação com o mesmo período de 2008), provocada principalmente pela crise financeira global amenizada peio crescimento de 15,8% nas exportações para a Ásia. A China, sozinha, importou 10,455 bilhões de dólares em produtos do Brasil, enquanto os norte-americanos compraram 7,307 bilhões.
O Mercosul (acordo de livre comércio com Argentina, Uruguai, Paraguai e Venezuela) também não anda em seu melhor momento, com as exportações para os países do bloco registrando uma queda de 40,3% neste primeiro semes¬tre. Barreiras comerciais impostas pela Argentina no fim de 2008 afetaram as sxportaçÕes de produtos brasileiros naquele país.
Em seu esforço para multiplicar os parceiros comerciais, o governo brasilei¬ro tem investido em missões diplomáti¬cas e comerciais para a África e o Oriente Médio, que vêm conseguindo ampliar a relação comercial com os países dessas regiões do mundo.
Bric
O Brasil integra outro grupo de países que vêm dando o que falar na imprensa mundial, o Bric. O nome - formado pelas iniciais de Brasil, Rússia, índia e China - foi criado em 2001 pelo economista Jim O'Neill, do grupo Lromman sacns, para designar os quatro principais países emergentes. A partir de projeções demográficas e modelos de acumulação de capital e crescimento de produtividade, o Gold¬man Sachs projetou o desenvolvimento da economia desses países até 2050. Quando fez isso, a estimativa era de que os Brics se tornassem a maior força econômica do mundo.
A forte presença desses países ficou clara na reunião da OMC de dezembro de 2005, quando os países em desenvol¬vimento, liderados por Brasil e índia, se juntaram aos subdesenvolvidos para exigir da União Européia e dos EUA re¬gras mais equitativas de comércio inter¬nacional, cujo crescimento, nos últimos anos, beneficiou sobretudo as nações ricas.
Em larga medida, a força dos Brics provém da enorme fatia da população mundial concentrada nos quatro países. Neles vivem 2,7 bilhões de habitantes, o equivalente a 40% da humanidade. A grande maioria desse contingente é de chineses e indianos. Nos últimos anos, são justamente a China e a índia as na¬ções com as mais aceleradas taxas de crescimento econômico entre as grandes economias do planeta.

País quer participar do Conselho de Segurança da ONU

Um dos grandes objetivos da diplomacia brasileira há vários anos é conseguir um assento permanente no Conselho de Se¬gurança (CS) da Organização das Nações Unidas. O conselho é o principal órgão da ONU e delibera sobre a segurança mun¬dial, definindo sanções e intervenções militares. Atualmente, o CS é constituído por cinco membros permanentes - os paí¬ses vencedores da II Guerra Mundial: EUA, China, França, Federação Russa e Reino Unido -, que têm poder de veto sobre qual¬quer proposta da ONU. O conselho abriga ainda dez membros rotativos, eleitos a cada dois anos. O Brasil já foi membro temporário por nove mandatos, sendo o último entre 2004 e 2005.
Em meados de fevereiro de 2009, as 192 nações que integram a ONU recomeçaram a discussão das diversas propostas de reforma do organismo, entre elas a de aumentar de 15 para 24 ou 26 o número de países que compõem o Conselho de Segurança. Com esse objetivo em comum, Brasil, Alemanha, Japão e índia formaram, em 2004, o Gru¬po dos 4 (G-4). O bloco quer a criação de mais seis vagas permanentes e aceita que, inicialmente, sejam sem poder de veto. Os novos lugares seriam ocupados pelos integrantes do grupo, mais dois países africanos (os principais candidatos são a África do Sul, a Nigéria e o Egito).
A proposta do G-4, porém, confronta-se com fortes resistências. A China e os EUA uniram-se contra qualquer mudança. Em 2006, o Japão deixou o G-4 por não concor¬dar com o curso das negociações. O México e a Argentina juntaram-se contra o Brasil, receosos de que o pais assuma um papel privilegiado na América Latina.

RIQUEZAS DIVERSAS

É interessante notar como os países do G-20 são diferentes entre si. Por exemplo, observe o índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Esse índice combina indicadores de renda, saúde e educação. Ele varia de O aí. Quanto mais perto de l, melhor. Repare que o Brasil, nesse ponto, não está muito bem colocado em relação a seus parceiros, ficando à frente apenas da África do Sul, China, índia, Indonésia e Turquia. Com relação à população, o bloco conta com gigantes como índia e China, ao lado de Austrália, com apenas 21 milhões de habitantes (o dobro da cidade de São Paulo). Quando for observar o PIB, não se esqueça de que está em bilhões. O dos EUA, portanto, ultrapassa os 13 trilhões de dólares.
OUTROS GRUPOS
G-7 (Grupo dos 7) - EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, Itália, França e Canadá
G-B - Todos 05 países do G-7 mais a Federação Russa
G-8 *5 - Todos os países do G-B mais cinco grandes emergentes, que são: Brasil, México,
índia, África do Sul e China
G-4- Brasil, Alemanha, Japão e índia
BRIC - Brasil, Federação Russa, índia e China
UMA SIGLA QUE QUER MUDAR A ORDEM GLOBAL

Por Murilo Ramos
Em 2001, o economista do banco Gold¬man Sachs Jim 0'Neíll criou a sigla Bric, com as iniciais de Brasil, Rússia, índia e China. 0'Neíll quis chá mar a atenç3o para um grupo de países cujo potencial econômico deixa ria as sete nações mais ricas do planeta para trás em 2050. Oito anos depois, o amontoado de letras deixou de ser uma ficção de relatórios econômicos para ganhar forma e con-teúdo políticos. Na semana passada, os Brícs fizeram sua primeira reunião oficial. Começaram a esboçar linhas de atuação em fóruns internacionais e na discussão de temas sensíveis em tempos de turbulência financeira. Sem muita modéstia e com uma imensa confiança no papel que o futuro lhes reserva, pro¬põem uma nova ordem global, em que o papel do governo dos Estados Unidos seja reduzido-e odeies aumentado. Na avaliação do presidente russo, Dmitri Medvedev, a cidade que abrigou o encon¬tro dos Brics, Ecaterimbrugo, se tornou o "epicentro do mundo". (...)
(...) A reunião (...) não produziu fru¬tos visíveis, além de estabelecer o pró¬ximo encontro do grupo para o ano que vem no Brasil. Nem era preciso. Os quatro países têm um lugar importan¬te no planeta de hoje pelo que são e, também, pelo que fazem em meio ao colapso da economia mundial. Concen¬tram 40% da população mundial, 28% do território e quase 25% das riquezas de todo o globo. (...)

O Brasil no comércio mundial

Já vimos que o comércio mundial é realizado em dois níveis: entre países e em blocos econômicos. Além de fazer parte do Mercosul, da Aladi e do Projeto da Alça, o Brasil realiza trocas comerciais com outros blocos econômicos e com vários países do mundo.
Depois do Mercosul, a União Européia destaca-se entre os blocos econômicos que mantêm relações comerciais com o Brasil.

O Brasil e o Mercosul

Apesar dos problemas causados pela crise econômica argentina, as trocas comerciais no interior do Mercosul são fundamentais para a balança comercial brasileira.
A Organização Mundial do Comércio (OMC) é uma organização internacional que trata das regras sobre o comércio entre as nações. Os membros da OMC negociam e assinam acordos que depois são ratificados pelo parlamento de cada nação e passam a regular o comércio internacional. Em inglês é denominada World Trade Organization” (WTO) e possui 153 membros
A sede da OMC é em Genebra, na Suíça.

BRIC

É um acrônimo criado em novembro de 2001 para designar, no relatório "Building Better Global Economic Brics", os quatro principais países emergentes do mundo, Brasil, Rússia, Índia e China.
Esse grupo de países pode tornar-se a maior força na economia mundial, superando as economias dos países do G6 (Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França e Itália) em termos de valor do PIB (em dólares americanos). Além da importância econômica, os BRIC tenderiam a aumentar sua influência política e militar sobre o resto do mundo.
De acordo com o estudo, o grupo deverá concentrar mais de 40% da população mundial e um PIB de mais de 85 trilhões de dólares.
Atualmente os BRICs não formam um bloco político (como a União Europeia), nem uma aliança de comércio formal (como o Mercosul e a ALCA), e muito menos uma aliança militar (como a OTAN), mas constituíram uma aliança através de vários tratados de comércio e cooperação assinados em 2002
Os "corredores" de exportação e os principais portos brasileiros
Para organizar o embarque de produtos nos portos marítimos do país. o governo criou, na década de 1970, os "corredores" de exportação: eixos que reúnem condições de transporte de cargas por ferrovias, rodovias (meio mais comum) ou hidrovias, de armazenamento (em silos ou contêineres) e sistema portuário. Nossos principais portos marítimos estão localizados nesses "corredores".
O principal porto brasileiro é o de Santos (São Paulo), com mais de 11 quilômetros de cais acostável. Em 1997, este porto recebeu 3.700 embarcações, o que representa cerca de 20% de todo o movimento portuário nacional. No mesmo ano, embarcaram e desembarcaram quase 11 milhões de toneladas de carga geral e 27 milhões de toneladas de granéis. Outros portos que se destacam são: Rio Grande (Rio Grande do Sul) e Paranaguá (Paraná), principalmente pela movimentação de grãos; Sepetiba (Rio de Janeiro), Tubarão (Espírito Santo) e Itaqui (Maranhão), enormes terminais especializados em minério; e os portos do Rio de Janeiro, Itajaí (Santa Catarina), Recife (Pernambuco) e outros dedicados à carga geral, contêineres e granéis.
Dos 24 principais portos brasileiros, apenas um é privado, o de Imbituba, no estado de Santa Catarina. As instalações portuárias não são compatíveis com o nível de desenvolvimento da economia, nem com as necessidades do comércio exterior. Os portos são mal-equipados, sem a necessária dragagem e, até pouco tempo, regidos por leis antiquadas que não atendiam às atuais necessidades. Um corporativismo dos portuários, protegido por setores governamentais, encarece enormemente a movimentação de cargas nos portos brasileiros.


Pesquisa e produção:
Prof. Miguel Jeronymo Filho
Ano 2012

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